02
fev
10

42: Cedendo aos avanços tecnomusicais (abaixo a tradição?)

Passei anos como baixista sob a égide do que havia de mais tradicional em termos de equipamentos: baixo Fender, amplificador Ampeg, emulador Sansamp (que apesar de mais recente que os dois anteriores, é também um clássico).

Quando apareceu a oportunidade de ter um baixo Warwick, embarquei muito mais pelo bom negócio, em termos de preço, do que pelo instrumento em si.  Não demorou para perceber que meu fiel Fender ficaria encostado. As inovações de design e eletrônica abriram um horizonte muito mais amplo para minhas (parcas) ambições musicais. Em pouco tempo fui encantado pelo que trinta anos de evolução tecnológica tinham feito ao baixo elétrico.

No ano passado comecei a ouvir falar do RH450 (Bass Amplifier 2.0) um amplificador classe D para contrabaixo, desenvolvido pela TC Electronic, que colocava por terra várias verdades sobre amplificação. Um equipamentozinho pouco maior que um rádio de carro, pesando quatro quilos, com emulador de válvula, afinador, compressor multibanda, equalizador semi-paramétrico e memórias programáveis englobando todos os recursos citados.

Como o preço praticado no Brasil é "impraticável", nunca me entusiasmei muito com o equipamento.

Depois de algumas negociações muito tranqüilas importanto pequenas peças através do ebay, arrisquei a compra do bichinho. Pagando preço de varejo, mais frete e todos os impostos, o preço final ficou em menos de 50% do que vêm cobrando as lojas, e cerca de 40% abaixo do preço na zona-franca em Manaus (o que me deixou irritado com os revendedores de equipamentos musicais que sempre afirmam que a culpa pelos preços altos é da carga tributária).

Impressionante a qualidade de som do RH450, com 450W RMS (pra mim mais do que suficiente em qualquer situação), nada fica devendo a um cabeçote Ampeg de 40 kg (entendendo que não é um amplificador valvulado, com um timbre característico diferente). A dificuldade que estou encontrando tem muito a ver com a grande quantidade de recursos, que abre infinitas opções de timbres e regulagens. Difícil parar de mudar e decidir que está satisfeito.

A mudança só me faz questionar ainda mais a defesa ferrenha do tradicionalismo por parte de muitos músicos. Será que vale a pena?

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02
fev
10

A lista: Sherlock Holmes

Assisti a uma pá de filmes do Guy Ritchie, e, desde que fiquei sabendo do projeto, fiquei me perguntando: como é que o estilo dele vai se adequar ao Sherlock Holmes.

Bom, a resposta foi: de jeito nenhum.

O filme é nada menos que sensacional, um visual fantástico, ação, suspense e humor em doses perfeitas, interpretações nada menos que sensacionais. Mas, de Sherlock Holmes, muito pouco.

Robert Downey Jr criou um personagem fantástico, mas apenas levemente baseado no detetive vitoriano de Conan Doyle.

Entretanto, nada disso prejudica a diversão: um filme que dá vontade de ver de novo, e de novo, e de novo…

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02
fev
10

A lista: Onde vivem os monstros

Só de ver o trailer eu tinha certeza que ia adorar esse filme. Criar universos fictícios e viver neles faz parte da história da minha infância, ainda que não seja do meu conhecimento que o fazia como fuga para alguma situação adversa.

Os efeitos especiais, que utilizaram técnicas diversas como animatronics, maquiagem, fantasias e CGI, são perfeitos e, por mim, levavam o Oscar e qualquer outro prêmio; é verdade que Avatar é impressionantemente bem-feito e revolucionário e coisa e tal, mas Onde vivem os montros não nos faz pensar : "Nossa! que efeito especial incrível!" Os efeitos são praticamente "invisíveis".

É fácil, ou pelo menos foi fácil para mim, se envolver com a estória e com os personagens, e a joranda de auto-conhecimento do Max é muito parecido com coisas que todos nós vivemos na infância, ainda que, muitos de nós já tenhamos esquecido.

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21
dez
09

A lista: Avatar

Um cruzamento de Dança com Lobos, Ferngully, Thundercats, Smurfs, e uma infinidade de filmes anti-imperialistas, anti-colonialistas, ecológicos…

Pelas mão do JC, deu no que deu: um filme absurdamente bem feito, que dá gosto de assistir, como todos os filmes dele. Já me acostumei com a idéia de que tudo é possível no cinema, e ainda assim o filme impressiona. A animação com captura de movimento (deve ter capturado até as mínimas expressões faciais), as cores, as texturas… nada forçado, nada artificial, pelo menos na primeira sessão.

Já até espero uma onda de gente falando mal, em alguns meses, como fizeram com o Titanic depois do caminhão de Oscars. Não que eu ache que Avatar vai levar um caminhão de Oscars. Talvez não leve nenhum. Talvez seja esquecido em breve. Ainda assim, merece ser visto. Diverte e empolga, tem uma estorinha simples, mas bem amarrada (com um furo aqui e outro ali), não zomba da sua inteligência (pelo menos não o tempo todo como certos filmes).

Montes de clichês como militares descerebrados e truculentos, cientistas idealistas, o povo primitivo e sábio, mas são colocados de uma forma, que, ainda que não afaste do óbvio, acaba sendo muito agradável.

No Embracine não estava em 3D, mas a projeção e o som de qualidade primorosa me deixaram com a impressão que nenhum efeito 3D me traria uma experiência melhor.

Emfim, legal ver JC de volta em plena forma, fazendo um espetáculo que só ele sabe como. Estava fazendo falta…

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21
dez
09

A lista: Vício Frenético (Bad Lieutenant)

Refilmagem? O filme novo não tem nada a ver com o outro. Herzog e Nicholas Cage neste, Abel Ferrara e Harvey Keitel naquele.

Os dois filmes excelentes. Apesar da infiidade de caretas do sobrinho do Coppola, o novo não fica devendo em nada ao outro.

Ainda não entendi a reciclagem do título. A única semelhança é o tenente da polícia, drogado e corrupto. Outra cidade, outra estória, outros personagens, tudo diferente.

Positivo foi o novo filme trazer o antigo à lembrança. Vale a pena ver e rever os dois!

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21
dez
09

A lista: Thirst

Filme coreano sobre um padre católico vampiro. Dirigido por Park Chon-Wook.

Só o fato de ter assistido Oldboy já bastava para elevar as expectativas quanto a este filme. Mas o tal Park fez muitas outras coisas legais. O episódio dele em Três extremos é de arrepiar.

Só que Thirst (não sei o título em português) não é isso tudo. Acho que errou a mão em alguns aspectos (as cenas com o vampiro saltando de um teto para outro são patéticas). Tem bons momentos, é verdade, mas o conjunto não me convenceu. Ter assistido Deixe ela entrar (filme de vampiro sueco do ano passado) piorou a situação; a estória da vampirinha pré-adolescente é de matar. Acho que esperava algo mais transgressor, mais radical. Talvez tenha pegado leve demais. Depois de Oldboy, qualquer coisa é leve demais.

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05
nov
09

Pra não dizer que não falei do Galvão

Durante o Grande Prêmio de Dubai, a televisão mostrando as celebridades presentes, entre elas o Jay Kay do Jamiroquai. O Galvão o identifica como o "vocalista do Jamirokay"… começa a comentar que ele é "metido a piloto",  que competiu em uma categoria de Porsche-não-sei-qual, e que fez feio; complementa citando uma meia-dúzia de pilotos brasileiros que também competiram na mesma categoria e não fizeram feio (entre eles o comentarista da casa, Luciano Burti). Os pilotos citados são profissionais, certo? O Jay Kay é músico, cheio da grana e corre por hobby. Que tal colocar a meia-dúzia de pilotos citados pra cantar umas musiquinhas do Jamiroquai? Pode ser num karaokê mesmo!

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03
nov
09

A lista: Moon

Vamos pular do supervalorizado ("Substitutos", que não dá pra ser chamado de "o novo ‘Blade Runner’") para o subvalorizado.

"Moon", seja lá como vai ser chamado em português, é um filme muito acima da média. Aparentemente uma produção pequena, é muito bem feito.

Dizer que a atuação do Sam Rockwell impressiona é chover no molhado. O cara tem muito talento, e isso já devia estar claro para muita gente. O filme é praticamente um monólogo: quando não está falando com o computador (e Kevin Spacey teve só a voz para trabalhar), está contracenando consigo mesmo; trabalhinho difícil.

Mas vamos ao filme (e, se ainda não viu, pode parar de ler por aqui)

Sam Bell está para cumprir seu contrato de três anos de trabalho como controlador de uma estação mineradora na lua. Três anos tendo apenas a companhia de GERTY, o tal computador. Os instrumentos de trabalho, plantas, tudo tem um apelido: é como ele supera a solidão. A comunicação se dá por mensagens gravadas, por um problema no satélite, que não permite conexões ao vivo.

A duas semanas da volta para casa, Sam começa a ter alucinações, fato que ele oculta de GERTY. Logo, a reação a uma dessas alucinações vai desencadear um acidente grave: a colisão do transporte que ele dirige com uma das máquinas mineradoras.

Vemos então Sam acordando na enfermaria. GERTY não permite que ele saia da estação, todo seu trabalho externo suspenso até que se concluam os testes que garantirão que não houve qualquer dano mais sério. Sam, impaciente, trata de enganar o computador, sai da estação e, no transporte preso sob a mineradora, encontra um corpo. O seu corpo.

Até aí, está tudo no trailer. Então, se você insistiu em ler até aqui sem ter visto o filme, ainda dá tempo de parar.

Juntos, os dois Sam começam a investigar o que realmente aconteceu, como pode haver dois dele? Comparando suas memórias, começas a perceber inconsistências e acabam por ouvir, de GERTY, a verdade: ambos são clones do Sam Bell original, que há muito cumpriu seu contrato de trabalho na estação. Baseado nas mensagens gravadas por Sam Bell, ou melhor, pelos clones ao longo dos anos, o Sam mais velho entende que seu prazo de validade se esgotou: não consegue se alimentar, seus dentes estão caindo… entendendo que sua morte está próxima, auxilia o novo Sam num plano para retornar à terra em um container  de minério que segue periodicamente para a Terra, antes que a "equipe de resgate" chegue para resolver o problema.

Fica aí a grande questão do filme: o que é o clone? Para os dois Sam descobrir que a "vida" que acreditavam ter não passava de memórias de uma outra pessoa, implantadas apenas como um "incentivo" ao trabalho, o estabelecimento de um objetivo: "voltar para casa"! Eles não são nada além de receptáculos biológicos produzidos em série. Não há uma família esperando por eles em casa. Não há "casa". E experiência "real" de vida se resume aos acontecimentos condensados nos três anos de duração do "contrato". E saber que o único "retorno" no fim das contas é para a geladeira.

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29
out
09

A lista: Substitutos

Ler crítica da cinema hoje é uma M! Dizer que este filme era o "Blade Runner"da geração atual só me faz pensar que a geração atual tem parâmetros muito menos exigentes que a anterior.

Não imagino que seja um filme que será lembrado, estudado ou discutido no futuro, como "Blade Runner" é hoje.

Não que "Substitutos" seja um filme ruim. Definitivamente não é! Muito acima da média dos filmes de ficção científica/ Ação que temos visto ultimamente. porém, um tempo maior para desenvolvimento de personagens não faria mal.

Visualmente, é impecável. O atropelamento do Bruce Willis ainda não saiu da minha cabeça, de tão realista.

O tema, do uso de recursos tecnologicos para evitar a vida real, está muito próximo de situações que vivemos hoje, como os sítios de relacionamento, Twitter e afins. Quem não tiver preguiça, vai até sair pensativo do cinema…

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29
out
09

A Lista: Distrito 9

Primeira baixa na lista: Distrito 9.

Filme quase independente. Narrativa tradicional entrecortada por inserções em formato de documentário. O ator principal sequer é ator profissional. Filme de ficção científica orçado em 30 milhões de dólares, cinco a menos que a comédia "Se beber não case". Tudo para dar errado.

"Distrito 9" é fantástico. Desde a estória, o efeito visual, a narrativa, as interpretações… tudo muito acima da média. Inteligente, bem acabado, sem falhas muito óbvias. E ainda faz pensar.

A maneira como retratou o preconceito crescente na população de Joanesburgo, todas as etnias unidas em preconceito contra o novo elemento da população, mais diferente que os outros, não saiu forçada.

A evolução do personagem principal, aquele representado pelo cara que nem ator era, é impressionante.

As seqüências de ação, com momentos "Transformers", perfeitamente inseridas no enredo. Nada é gratuito no filme.

Nas mãos de Michael Bay, seria mais um descartável hollywoodiano. Neil Blomkamp não é Michael Bay. Ainda bem!

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