Fico meio chateado com a síndrome de viralatas do nosso povinho pindoramense. Enquanto se prega que tudo no velo mundo é chiquérrimo, a gente chega e vê outras coisas. Milão é a capital do chiquérrimo. O vaso sanitário chafariz no banheiro do aerooporto deve ser bacana… na verdade, tem coisa errado em qualquer lugar do mundo.
Na dúvida entre vir do aeroporto para a cidade de trem ou de ônibus, optamos pelo segundo porque a plataforma de embarque estava mais próxima. Em determinado momento, nos lembramos dos comentários de todos os guias que lemos sobre o trânsito caótico na Itália. O que vimos foi nada impressionante, pouco diferente do nosso trânsito. Ficamos um tempo parados devido a uma leva colisão do ônibus com um Citroën, mas nada sério (pra ser sincero, nem consegui ver o que estragou no carro; se o carro fosse meu, talvez…). Exceto por algumas conversões criativas à esquerda, o trânsito é bem igual ao nosso.
A maior parte de Milão se parece muito com São Paulo. Em alguns momentos me senti caminhando pela Consolação, Jardins ou Pinheiros. O metrô então, é quase idêntico ao de Sampa, exceto por uns trens MUITO velhos, e pela sujeira. Quando se chega às partes mais antigas da cidade é que a coisa muda.
Estranho aqui é o sol: o dia clareia ali pelas 7h, e às 19h já escurece… no inverno deve ser flórida… Estamos acompanhando o clima daqui há um tempão, e, até agora, não adiantou nada. Um calor do caramba o dia inteiro, e nada de esfriar de noite. muito diferente do que nos disse o oráculo da internet.
As padarias em Milão são uma coisa de louco. Entramos em uma, querendo comer tudo que estava lá. Pedimos um treco desses tipo "wrap", espetacularmente bom. Depois descobrimos que era feito com presunto de carne de cavalo. De novo, espetacularmente bom. À noite prestando atenção nos restaurantes pelo caminho, nos pratos que víamos nas mesas, só confirmamos o que nos contaram: as refeições são dessas em várias etapas com pré-entradas, entradas, sopa, salada, massa, prato principale sobremesa. Acabamos entrando numa "Pizzaria Dom Bosco": pizza de mozzarella é só. Com fome, pedimos uma porção grande cada um e quebramos a cara: fatias imensas. Lição aprendida: porção normal sempre.
Agora na estação de trem caiu a ficha de uma coisa: a publicidade nas ruas é toda liga à moda e aos cosméticos. não se vê nenhuma propaganda de outra coisa. A cidade vive disso. As pessoas na rua, em geral, se vestem muito bem, um ou outro mais ousados, usando coisas que parecem saídas de um filme de FC do Almodóvar. É muito estranho ver as lojinhas da estação ocupadas por Armanis e DGs e essas grifes, no lugar de 1,99. Agora, a caminho de Florença.
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Anderson, meu amigo. Acho que esses requintes de limpeza, perfeição somente no Japão, Coreia, Cingapura,talvez Noruega, Belgica, sei lá. Não conheço e, como voce diz, sempre há espaço para supresas… Aproveite.